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Descomplicando as expressões idiomáticas (Parte I)

Atualizado: Ago 27

Temos certeza de que você já as ouviu, riu delas até sem entender e ficou curioso pra saber seu sentido.


Estamos falando delas, das queridas expressões idiomáticas. Querídissimas, aliás, porque usar essas expressões é um grande passo para ser proficiente em uma língua.


Afinal, como funcionam, de onde vêm e para onde vão? Brincadeiras à parte, podemos chamar de expressão idiomática conjuntos de duas ou mais palavras que têm um sentido diferente do literal das palavras que os compõem. Não é preciso saber a origem delas para que façam sentido e usá-las é bem mais fácil do que você imagina (sério!).


Observe o exemplo abaixo:


Dar (A) bola (B) = insinuar-se para alguém, flertar (C)

Resumindo:

A + B = C


Se você somar o sentido literal de cada palavra da expressão acima, não vai ser possível chegar ao sentido metafórico que ela indica. Então, vamos deixar claro que a soma das palavras não equivale ao sentido da expressão (se estiver interessado em alguém, não compre uma bola e dê de presente, tá?).


As expressões idiomáticas são diferentes de outras expressões como provérbios, ditados populares e gírias.


Os provérbios, por exemplo, tentam dar uma lição de moral, como em “a pressa é inimiga da perfeição”. Geralmente, você pode entendê-los pelo sentido literal da frase.


Já os ditados populares foram ditos em algum momento e consagrados pela tradição oral. Um fato curioso sobre eles é que, como não se sabe o primeiro contexto de uso, não é possível retomar seu sentido inicial, sendo, muitas vezes, não literais. Como a expressão sem eira nem beira, por exemplo, que significa estar em situação de pobreza. Essa expressão teve origem em Portugal e era usada para falar sobre posse de terras, mas hoje, quando falamos, não lembramos da origem no momento da conversação. Portanto, não se preocupe com isso (a não ser que você seja um linguista histórico ou esteja muito interessado nessa parte da língua).


As gírias, que você já deve ter ouvido inúmeras vezes por aí, são usadas por uma faixa etária ou grupo social específico. Aqui em Brasília, por exemplo, é comum ver os jovens chamando uns aos outros de “véi”, uma redução da palavra “velho”.


Para descomplicar, vamos focar nas expressões idiomáticas nominais nesta postagem.


Primeiro: fique zen. É perfeitamente aceitável que você não entenda todas as expressões idiomáticas que ler ou ouvir. O que vamos fazer é sistematizá-las para que o uso fique mais fácil.


As expressões idiomáticas são muito versáteis e têm várias funções: podem ser verbos, indicar qualidades e defeitos, tempo, lugar, maneira de fazer algo…


Observe essas aqui:

cara de pau

mão de vaca

barata tonta


Notou alguma semelhança?


O que é mais similar entre elas é que todas têm função de adjetivo (aquele grupo de palavras que qualifica os nomes, lembra?). Por isso, podem ser usadas com os verbos ser, estar, parecer, continuar, ficar, andar, virar, tornar-se e outros de sentido semelhante.


Veja exemplos de uso de cada uma dessas expressões idiomáticas:


Cara de pau


O vizinho continua muito cara de pau! Todos os dias, estaciona o carro dele na vaga do meu apartamento!


Usamos cara de pau para indicar pessoas desavergonhadas, desinibidas e atrevidas. É uma expressão informal. Atenção para o uso: essa expressão não varia em gênero, mas pode ser usada no plural: caras de pau. Você também pode colocar uma palavra para intensificá-la, como muito (antes da expressão) ou demais (depois da expressão).


Mão de vaca


Meu irmão anda muito mão de vaca, não sei o que fazer pra ele deixar de ser tão apegado a dinheiro!


Usamos essa expressão para pessoas avarentas, que não gostam de gastar dinheiro e sempre tentam economizar ao máximo. Essa expressão também pode ser usada no plural, mãos de vaca, e com palavras para intensificá-la. Atenção: não há variações de gênero para ela. Um fato curioso: pão duro é outra expressão idiomática de mesmo sentido.


Barata tonta


A expressão barata tonta também é informal e usada para indicar uma pessoa desorientada ou que não sabe o que fazer, nem como agir. Apesar de não variar em gênero, você pode usar essa expressão no plural: baratas tontas.


Como nossa mente não pode parar, escute a música “Ditados Populares” da banda Homem de Pedra. Quantos provérbios e ditados populares desses você já ouviu por aí?


Quer ler mais sobre Português como Segunda Língua, Língua Estrangeira ou Língua de Herança? Escreve pra gente!


Até a próxima!

Autoria: Professora Eugênia Fernandes

Equipe Icepe

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